Entrevista...
Até bomba nas aldeias dos Waimiri-atroari
Por: Ronaldo Brasiliense
 fONTE: AmazonPress
O sertanista Porfírio Carvalho está para os índios Waimiri-Atroari, do Amazonas, como os irmãos Villas-Boas estão para os Xavantes do Parque Nacional do Xingu. Nessa entrevista ao jornal AMAZON PRESS, Carvalho fala sobre a atual situação dos projetos que vêm sendo desenvolvidos em favor dos índios. Até bomba nas aldeias dos Waimiri-atroari.
Amazom Press: Como era antes e como é hoje, aqui, entre os Waimiri-Atroari?
Porfírio Carvalho: Os índios Waimiri-Atroari receberam um impacto muito grande na época da construção da rodovia BR-174 (Manaus-Caracarai). Houve uma polêmica muito grande que terminou resultando numa diminuição da população indígena que, no inicío da construção, era em torno de três mil índios e quando chegou em 1986 eles eram só 384. O Programa Waimiri-Atroari foi uma ação mitigadora da Eletronorte, que, por proposta nossa, tentou resolver também o problema causado pela estrada e por outros empreendimentos dentro da reserva Waimiri-Atroari. O que aconteceu? A Eletronorte bancou essa ação, coordenada com vários tipos de prestação de serviços aos índios e hoje, 10 anos depois, o programa Waimiri-Atroari consegue registrar um dos maiores índices de condição de vida de um povo indígena.
Amazon Press: Há um certo folclore de que o Exército chegou a destruir aldeias...
Porfírio Carvalho: Isso não é folclore, não. Isso aconteceu. Eu não posso dizer se foi exatamente o Exército, mas aconteceu. As aldeias foram destruídas e algumas com bomba. Não podemos dizer que foi o Exército porque as pessoas poderiam estar identificadas como se fossem. Eu estive na época, em 1974, conversando com o pessoal do Exército, e eles me disseram que fizeram isso. E se eles disseram, tudo indica que aconteceu. Eu trabalhava na Funai naquela época e nós protestamos contra tudo o que estava acontecendo. E nós fomos afastados, fomos presos.
Amazon Press: Isso em plena ditadura militar?
Porfírio Carvalho: Em plena ditadura!
fONTE (sem data): http://www.amazonpress.com.br/indios/dedoc/ind23062000.htm
Outras matérias neste link:
> O ocaso de Payakan > De como os norte-americanos massacraram seus índios > Telefônia chega na aldeia indígena > STJ suspende demarcação da reserva Baú > Catapora mata índios araweté, em Altamira > Governo homologa reserva indígena Vale do Javarí > Encontro de pajés em Iauaretê discute saúde indígena > A criação dos costumes do povo Aparai
Escrito por Giselle Ap. Piragis - GipirA às 15h09
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Escrito por Giselle Ap. Piragis - GipirA às 14h15
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"Mais tarde, com a destruição das bases da vida social indígena, a negação de todos os valores, o desejo, o cativeiro, muitíssiomos índios deitavam em suas redes e se deixavam morrer, como só eles têm o poder de fazer. Morriam de tristeza, certos de que todo futuro possível seria a negação mais horrível do passado, uma vida indígna de ser vivida por gente verdadeira". (O Povo Brasileiro)
Autor: Darcy Ribeiro
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Escrito por Giselle Ap. Piragis - GipirA às 13h46
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